Enquanto grande parte da discussão sobre música eletrônica ainda gira em torno de line-ups e headliners, alguns movimentos mais silenciosos acabam sendo os que realmente reposicionam uma cidade no mapa.
É o caso de João Kaarah, DJ e curador de Brasília, que chega à fase final do HÖR Maximum Heat DJ Contest, iniciativa da HÖR Berlin — uma das vitrines mais influentes da música eletrônica contemporânea.

Transmitida diretamente de Berlim, a HÖR se consolidou como um dos principais canais de descoberta de artistas e tendências. Estar entre os finalistas do concurso não é apenas um reconhecimento técnico, mas um indicativo de alinhamento com o que está sendo construído nas pistas mais relevantes do mundo hoje.
Um set que aposta na construção, não no impacto fácil
No material enviado para o concurso, Kaarah apresenta uma curadoria que se afasta das fórmulas mais óbvias de pista.
Seu mix transita entre o break deep, o electro e o house contemporâneo com forte influência da cena UK, construindo uma narrativa baseada em groove, textura e precisão rítmica.
Ao invés de apostar em momentos de explosão, o set trabalha a continuidade — uma progressão controlada onde cada transição reforça a arquitetura sonora proposta.
O resultado é um fluxo que privilegia movimento e detalhe, mantendo a energia sob controle sem perder a tensão.

Trajetória que sustenta o momento
Mais do que um nome emergente, João Kaarah constrói sua caminhada a partir de uma relação profunda com a curadoria musical.
Desde 2012, com o projeto de mixtapes MXSXK — que chegou a embalar desfiles no SPFW e evoluiu para uma webrádio — o artista vem desenvolvendo uma pesquisa consistente que atravessa house, electro, break e techno.
Essa trajetória se reflete nos palcos por onde passou: Popload Festival, Heineken Up On The Roof, EXTERNA, 5uinto, Lobby, Cine Jóia, entre outros, além de sets para plataformas como Veneno.live e Function.fm.
Mais do que os nomes ou lugares, o que se consolida é uma assinatura: uma curadoria que conecta diferentes paisagens sonoras sem perder coerência estética.

O que está em jogo
Mais do que um título, a participação na fase final do concurso representa uma possibilidade concreta de projeção internacional — e, ao mesmo tempo, um reflexo do amadurecimento da cena local.
Num cenário onde muitas vezes a validação vem de fora, ver um artista da cidade disputar espaço em uma plataforma como a HÖR é também um convite à reflexão:
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