Amethysta BsB/BR
Carol Valença, a força por trás da Deusa.
maio/2026
Brasília sempre tem misturas que enriquecem: aqui o techno e psicodelia andam juntos, sem agressões e sem fronteiras limitadoras. Não precisa de curadoria, muito menos tutoria.
Tem artista que nasce personagem. David Bowie, Siouxsie And The Banshees, The Cure e muitos outros que vieram antes já nos ensinaram isso. Mas aqui tem artista que constrói uma persona como quem constrói uma ponte: entre o que sente e o que entrega; entre o caos interno e a precisão e profissionalismo público; entre a vida real e a cabine. A Amethysta é fruto dessa profusão de mulheres dentro de uma única Carol Valença.
Se você não conhece ela, provavelmente no seu primeiro contato, o que você verá é o brilho: sorriso aberto, feminilidade sem pose, presença leve. Só que a própria Carol explica que essa leveza não é verniz — é uma tecnologia íntima que ela aprendeu a acionar. Não pra “performar felicidade”, mas pra seguir vivendo e, principalmente, pra seguir criando.
“A Carol não consegue, mas a Amethysta consegue. Antes de entrar no palco, quando eu não estou muito bem, eu falo a Carol não consegue, e na hora você baixa o santo (risos)”
Essa frase é a chave, porque não é sobre ego, é sobrevivência. E sobre método e autoconhecimento profundo.
Amethysta é um nome e também uma construção viva e criativa.
O que muita gente chama de “nome artístico” para ela é uma arquitetura viva de criação e transcendência de si mesma. Ela descreve a Amethysta como algo que foi planejado, escrito e lapidado, uma persona que existe pra segurar a barra quando a Carol, vez por outra talvez não aguentaria.
E a intenção era radical desde o começo:
“Ametista eu botei na minha cabeça, quando eu comecei que ele ia ser meu último projeto artístico.”
Só que “último” aqui não uma despedida. É uma decisão: “vai dar certo porque não tem mais pra onde correr”. O plano B, é fazer o plano A dar certo. A persona vira um lugar limpo, com menos interferência, menos ruído, e mais clareza de propósito.
O primeiro universo paralello a gente nunca equece.
O da Carol foi em 2016, e de lá pra cá muita coisa mudou nela, menos a essência.
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“Ela é uma extensão… sem muitas coisas que faziam ruído na minha vida. Então ela me trouxe muita paz, estabilidade mental, pra eu poder viver, e pra Carol poder viver também.”
Amethysta, é uma das poquíssimas mulheres da cena nacional que possui sets inteiramente autorais. Isso não é um feito qualquer. Esse fator é o que torna suas apresentações mais coesas e mais alinhadas ao seu estilo de música, além de deixá-la numa camad artítica diferente da maioria dos Djs. Ouça uma de suas sessões no stúdio da Dot Magazine, em Brasília:
O xamanismo urbano moderno.
Existe um jeito muito direto e muito bonito dela falar sobre pista. Não como “balada”, não como válvula de escape, mas como ritual contemporâneo: um espaço onde energia circula, onde a troca é real, onde o corpo entra em outro modo e as pessoas criam uma energia de conexão com o todo.
“A música eletrônica pra mim, os festivais, as festas, pra mim são rituais modernos de xamanismo.”
Mas ela reconhece que tem que haver alguns limites. Afinal, mesmo essas trocas precisam ser cuidadas. Sem romantizar demais, ela fala do depois, do retorno pra casa, quando a euforia baixa e a conta energética chega. Porquê sempre chega e ela precisa desacelerar.
“Muitas vezes quando eu volto de uma apresentação pra casa eu demoro um tempo… pra saber dividir o que que é meu e o que que não é. O que eu estou absorvendo da outra pessoa porque eu tenho que ajudar mas eu tenho que me manter em pé.”
Essa é uma leitura rara porque é madura: entrega, sim. Mas com fronteira. A artista não é uma esponja eterna, e ela sabe disso.
“Eu respeitava tanto a música… que eu não via como capaz, nunca me via naquela posição do DJ. Eu me via como público.”
Música como “USB”: o gatilho criativo que puxa tudo
Antes de ser DJ, ela já era imagem. Fotógrafa há quase uma década, criação de conteúdo, estética, direção, e aquela fome clássica de artista que quer fazer tudo ao mesmo tempo (e, quando dá certo, vira assinatura).
“Minha arte principal que eu mais consumi na vida foi música. Ela é como se fosse um USB que você botasse aqui na minha cabeça… é assim que ela funciona.”
“Tudo Tudo que você vê no meu Instagram sou eu que faço.”
E o ponto de virada foi perceber que ela se colocava sempre na posição de público, por respeito quase sagrado ao som.
DJ Amethysta – Alquimia Indoor // Vernissage
Entrevista para O Club Podcast
A decisão tardia (e explosiva): “eu vou comprar, eu vou aprender”
A Amethysta começou a tocar há apenas três anos. Mas o “só” é pegadinha: tem gente que vive dez anos numa carreira morna; e tem gente que comprime uma década em três anos de densidade.
Ela conta o começo com uma cena simples e muito Brasília: telefonema, grana guardada, a controladora que não veio, e a decisão que veio.
“Eu falei, eu vou comprar, eu vou aprender. E eu aprendi a tocar sozinha.”
O pai entra como apoio real (financeiro e simbólico) e ela passa meses treinando em casa, sem palco, sem validação externa, só insistência.
Até que a primeira gig muda o eixo: convite, bar lotado, família toda presente.
“Eu fui, convidei todos os meus amigos, meu pai foi, minha mãe foi… a gente lotou o bar. E aí começou a carreira da Amethysta”
E com o dinheiro do começo ela faz um movimento inteligente: entrar na linguagem do club, aprender a usar as CDJs, virar “profissional de cabine” e não apenas “boa em casa”.
“Eu paguei o Pedro da DotMag. E eu aprendi a tocar numa CDJ.”
Embora sua dedicação à música seja hardcore, ela concilia suas atividades artísticas com seu trabalho como publicitária e diretora de arte. Mas tem se concentrado nos finais de semana em que não está se apresentando em seu processo criativo e de produção.
A assinatura: BPM alto, fechamento de festa e a psicodelia “na mão”
A Amethysta se entende como DJ de fechamento. A dinâmica dela é a hora em que a pista já filtrou geral, e só ficou quem quer permanecer. E isso pede um tipo específico de energia.
E aí vem o pulo do gato: a identidade dela não é só “gênero”. É mistura feita na mixagem. Ela descreve o próprio som como uma ponte entre peak time/hard e o universo psicodélico — mas sem virar colagem. É um método de transição.
Ela resume o que a pista percebe: não é um set “igual” porque a combinação é tirada da cabeça dela, construída no estudo e executada na técnica, ao vivo.
“O set que eu entrego é um set que você nunca vai ouvir igual, porque ele é misturado… que só eu tirei da minha cabeça.”
E aqui tem disciplina, não improviso irresponsável: ela treina, revisa, reestuda, reorganiza as entradas e saídas como quem prepara uma peça. Mesmo com pouco tempo de estrada ela já entendeu que a experiência é o espetáculo. E que o DJ que não se prepara dificilmente entrega um para seu público.
“Eu treino… todas as vezes que eu vou para um palco, a minha curadoria tá estudada, reestudada, reinventada.”
“Meu projeto veio com a proposta de fazer o Psy Tecno.”
Conexão real com o público
Uma coisa que dá pra sentir na fala dela: o foco não é ser comentada. É ser vivida.
Quando o assunto é aquela ansiedade de suporte de artista grande, ela é honesta: acha legal, mas não é o centro.
“Tudo que eu passei aqui até hoje, tudo que eu faço até hoje foi feito para o meu público.”
Esse é um posicionamento que combina com Brasília quando Brasília tá no seu melhor: cena como comunidade, como prática, como pertencimento — não como passarela.
Rave aos 11, balé, cinema: a artista vem de longe
Antes da cabine, a base já era artística, e não é pouco. Ela conta que começou a ir pra festa muito cedo, ainda criança, e que isso moldou o ouvido.
E a história é ótima: Infected Mushroom, mãe levando (e odiando).
A mãe entra também por outro lado: cinema. Filme europeu. Formação de imaginação e ela reconhece essa contribuição como fundamental para se tornar a artista atual.
E o pai fecha o triângulo com artes visuais: ela fala da obra dele com orgulho e com aquela certeza que só filho de artista tem quando cresce vendo o processo ao vivo. Para ela o pai é um dos maiores artistas que ela já conheceu.
Ela enxerga a própria trajetória como continuidade dessa linhagem, e como privilégio raro no Brasil: ter base, ter tempo, ter chance de se especializar.
“É um grande privilégio poder ser artista.”
Cena local, conexões e próximos marcos
No mapa de conexões, ela cita relações importantes que fazem sentido por troca e não por “salvação de carreira”.
E quando fala de marcos, tem um que encaixa perfeitamente na narrativa “Brasília pro mundo”: a seleção/contest do palco 303, ligado ao Universo Paralello — um tipo de validação que conversa com a história dela desde a infância de rave e com o presente em club.
“O networking… ele é recíproco, entendeu?… de admiração, respeito, conhecimento.”
A Amethysta é perigosa por dois motivos simples: ela tem luz, e tem profundidade. Ela tem alegria, mas não é distraída. E, principalmente, ela tem disciplina, daquelas que quase ninguém vê, mas todo mundo sente quando a música começa a encaixar.
E é por isso que, quando ela entra, não é só “mais uma DJ”. É uma linguagem inteira assumindo o controle, com método, com ritual e com uma curadoria que não vem pra agradar rápido, não se repete e vem e sim pra marcar quem estiver na pista.
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Dossiê Amethysta
Nome Civil:
Caroline Valença
Nome Artístico:
Amethysta
Ano de Início:
2022
Base:
Brasília, BsB
Links dos Principais Serviços de Streaming:
Links de Redes Sociais:
Gerenciamento Artístico:
A própria Artista
Contato para Bookings:
Direto com a Artista