Paolla B. ES/BR

imersão e cura

ABRIL/2026

Da brisa capixaba à selva de pedra paulistana, Paolla Brandão Grijó, ou simplesmente Paolla B, tem experimentado uma transformação artística baseada em crescimento contínuo e respeito máximo à música.

A sua trajetória é um movimento que merece ser documentado. Ela acompanhou a evolução da cultura clubber no Brasil e, não por acaso, ajudou a segurar as pontas da cena em seu estado natal antes de dar o salto estratégico para o epicentro de São Paulo.

Nesse bate-papo descontraído, feito via Google Meet com cerca de 3 horas, a gente procura chegar nos pontos pouco iluminados por outras matérias e conteúdos disponíveis na internet sobre a Paolla B. Este é um documento que tem alguma pretensão de profundidade e, ao mesmo tempo, de leveza sobre uma artista que entende que a música eletrônica, antes de ser entretenimento, é um ritual moderno de cura.

A pista é lugar de família

A musicalidade de Paolla tem raízes orgânicas e inusitadas. Aos 5 anos, seu avô paterno a ensinou a tocar gaita, que foi o seu primeiro contato real com a criação sonora. Na mesma época, enquanto a maioria das crianças brincava, ela desfilava em concursos de beleza, inscrita por sua mãe. A trilha sonora das passarelas era puro suco de Summer Eletrohits, Lasgo, Groove Armada Sonique, Magic Box e Alice Deejay, etc. O groove entrou no seu subconsciente antes mesmo que ela tivesse consciência do que era um DJ.

Mas a verdadeira imersão na cultura de clube veio de uma forma bem pouco comum para uma clubber: em família. Aos 14 anos, Paolla começou a frequentar as boates de Vitória (ES) acompanhada da própria mãe. A pista de dança nunca foi um lugar de rebeldia inconsequente, mas um ambiente de conexão.

O nome artístico carrega essa dualidade. O “B” vem do sobrenome Brandão (da mãe que a introduziu na noite), mas também representa o seu lado B, e a sua busca incessante por sonoridades que fogem da obviedade cultuada por pistas mais pop.

“Eu frequento festas desde 14, 15 anos de idade porque eu ia pra boate com a minha mãe, eu não precisava falsificar a identidade. Eu ia com a minha mãe, então eu sempre fui uma apaixonada, sempre fui da pista.”

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Resistência professoral

A transição da pista para a cabine teve um empurrão de um amigo produtor do Rio de Janeiro que trabalhava com produção de eventos, Diego Bu. Ele detectou sua aptidão natural por pesquisa e sua avidez pelo front, em 2015. Foi ele que plantou a semente em sua cabeça de que ela poderia ser DJ, mesmo ela achando que essa seria, talvez, uma maluquice. Diego bancou a ideia e até ajudou com o curso intensivo na DJ Ban em São Paulo, mudando a rota dela para sempre.

Após o curso, em um final de semana, Paolla fez sua estreia na extinta Move Music, na festa Lightless, na sua cidade natal. Um detalhe interessante para a atualidade é que ela tocou com o tracklist inteiro anotado à mão em um pedaço de papel ao lado da CDJ. Na verdade, isso não é algo novo, mas revela muito sobre seu profissionalismo diante do templo (pista) em um momento de estreia.

No Espírito Santo, Paolla viveu os altos e baixos de uma cena fora do eixo Sul-Sudeste. Quando os grandes clubes começaram a fechar por lá, ela se tornou peça fundamental da resistência no Toro Club. Lá, ela dominava os after-hours (das 5h às 8h da manhã) em sua fase mais focada no Techno, e também virou professora de mixagem, formando uma nova geração de artistas locais.

Foi dessa necessidade de criar espaços seguros que nasceu a Festa Fluido. Idealizada por ela, a Fluido se tornou um refúgio itinerante de fomento para a comunidade LGBTQIAP+ e para as mulheres, provando que sua visão vai muito além da própria carreira artística.

O pé-direito tem que ser mais alto

Chega um momento na carreira de todo artista independente, especialmente os que vivem fora de grandes centros, que o teto do seu ecossistema local pode ficar baixo demais. E esse momento chegou para Paolla. Em 2019, ela teve uma experiência de 3 meses em Barcelona. Na sua volta para casa, o plano já estava traçado: morar em Barcelona já não era apenas uma vontade, mas uma conexão provavelmente ancestral.

Entretanto, nem tudo o que planejamos sai como a gente pretende. Infelizmente, a COVID-19 mudou a rota e os planos de Paolla e de todos os habitantes do globo terrestre. Após os anos de pandemia, retomando os trabalhos, a escolha lógica e estratégica foi São Paulo. A maior cidade da América Latina, e também a maior do Brasil, tem atrativos logísticos que fazem bastante sentido para qualquer artista da música eletrônica que quer expandir seus horizontes. Em 2024, Paolla faz o movimento de mudança de cidade.

Mas essa mudança para uma cidade com velocidades completamente diferentes de seu habitat natural tem seu preço. O choque de realidade foi brutal. A troca da tranquilidade de uma cidade litorânea pela energia workaholic da capital paulista exigiu adaptação. Mas Paolla está usando essa eletricidade como combustível para se concentrar nas suas atividades de estúdio. Outro passo importante na sua construção de carreira.

Hoje, o foco é no Sound Design puro dentro do Ableton Live. Ela, que já teve mentorias de Marcel Dadalto (ZémariaDead Fish), aprendeu a fugir dos presets prontos de synths muito utilizados; ela prefere trabalhar com sua própria síntese sonora e com os instrumentos nativos da sua DAW. Uma característica que certamente levará seu som a um patamar diferente.

Inspirada pelo mar, pela selva de pedra e pelo que a cerca, recentemente, uma fala do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica em uma entrevista virou um sample vocal para uma nova track em andamento.

“São Paulo realmente tem essa energia de quem quer trampar, quem quer crescer, quem quer se dedicar e se jogar.”

Seriam os DJs, astronautas?

Como definir o som de alguém que cresceu ouvindo Axé, ama o reggae de Bob Marley, idolatra a estética do filme Pobres Criaturas e tem a banda Maribou State como trilha da vida? Paolla chama sua assinatura de “música espacial”.

Sua pesquisa transita com fluidez por Minimal, Breaks, House, Electro, Trance, Indie Dance e Acid. Essa versatilidade chamou a atenção da mídia especializada. O portal Alataj a destacou na coluna Up&Up como um dos nomes para se ficar de olho, e a convidou para assinar o podcast Alaplay 651, onde ela entregou uma ótima aula de progressão: começando introspectiva e ganhando corpo com breakbeat e acid.

Para Paolla, a condução de um set é uma arte séria. Inspirada pela imprevisibilidade de Nina Kraviz, ela foca em criar flow, respeitando os picos e vales da energia da pista. Não à toa, ela tem assumido posições de destaque nacional, como ser headliner da festa de 3 anos da Catarse, em Curitiba, em 2025.

Um grande divisor de águas recente foi o DJ Contest do Time Warp Brasil. Paolla gravou seu set de warm-up faltando três dias para o fim do prazo e foi selecionada como uma das 4 finalistas nacionais. Na final ao vivo, na Rádio Veneno, a vulnerabilidade bateu: o nervosismo a fez errar mixagens. Longe de esconder isso, ela usa a experiência para lembrar que DJs são humanos, e que a arte orgânica mora justamente na imperfeição. Não há do que se envergonhar.

Paolla B e D. Marco fazem B2B em São Paulo, para Unidos do BPM, em festa no Edfício Martinelli 

“A música eletrônica em si ela é muito disruptiva. Ela trabalha com sons que se você conversar e falar com um musicista que toca piano… ele vai dizer que isso não existe. […] Você pode colocar um som de um papagaio, da porta batendo, e transformar aquilo em algo que te toca, que você sente, que causa uma sinestesia.”

DJ Dani B, entrevista Paolla B, no Podcast Pod B.

Cabines que já receberam Paolla B:

  • Universo Paralello (BA): Tocou em duas edições e em palcos diferentes.
  • Veludo Festival (MG): Uma das pistas favoritas da vida dela, onde rolou uma conexão absurda com o público.
  • Sangra Muta (SP): Uma gig marcante onde ela virou a pista e lotou o front.
  • Outros festivais: Masterplano (MG), Faísca Festival e Sunset Festival.

Clubes e Labels Icônicos (Nacionais)

  • D-Edge (SP) e Warung Tour.
  • Carlos Capslock (Festa Pronta).
  • Catarse (PR): Foi headliner na festa de 3 anos do coletivo na Sociedade 13 de Maio.
  • Ópera de Arame (PR) e Caracol (SP).
  • Outras festas e showcases: ERRORR, House Mag, Ephigenia (SP), Obliqo (SP) e Jardineira Showcase.

A Escola Capixaba (As Raízes)

  • Toro Club / Toro Black: a sua residência como DJ e professora de mixagem digital, onde tocava sets longos de techno nos afters (das 5h às 8h da manhã).
  • Move Music: Onde rolou a primeiríssima gig em um Club, na festa Lightless (com o tracklist anotado no papel).
  • Thale Beach (Guarapari): Onde ela fez o warm-up para o Claptone, Gui Boratto e D-Nox.
  • Outros picos no ES: Music Stage, Prisma Techno, Discotopia e Tara.

Projetos Autorais

  • Fluido: Festa itinerante criada por ela no ES para fomentar a cena feminina e LGBTQIAP+.
  • Ferva: Outro selo de festas capixaba com a assinatura e direção de arte dela.
  • Heals.: A primeira festa criada e produzida por Paolla ao lado de 5 amigos DJs. A resenha organizada  no play do seu prédio  explodiu, com mais de 100 pessoas. Foi o início do da trajetória como produtora musical. Depois disso, muitas edições rolaram, inclusive uma na Move Music, o primeiro Club em Vitória, que Paolla tocou.

Presente e futuro: produção no modo on

O trabalho de estúdio já rende bons frutos. Em 2025, estreou como produtora com destaque para “Piq Funkbreaks” (Jardineira Records), reconhecida pela mídia especializada.

Embora sua dedicação à música seja hardcore, ela concilia suas atividades artísticas com seu trabalho como publicitária e diretora de arte. Mas tem se concentrado nos finais de semana em que não está se apresentando em seu processo criativo e de produção.

Diferente de boa parte dos DJs atuais, ela não senta no estúdio para produzir pensando na “fórmula” de uma gravadora específica. O processo é 100% guiado pelo mood dela no dia. Só depois da música pronta é que ela faz o digging para ver qual label dá o match perfeito com a sonoridade. A meta é lançar seu primeiro EP autoral nos próximos meses, além de sonhar em tocar em Tóquio e, a longo prazo, transformar toda essa bagagem em um Live Act 100% autoral, inspirada por Nicolas Jaar.

Além da produção autoral, recentemente assumiu o comando do programa semanal “DJ World”, na SpaceX Radio, de Vila Velha, onde faz conexão com DJs da cena global que gravam sets especiais para seu programa.

A menina que desfilava ao som de electro cresceu, está entendendo o business e dominando tanto a técnica da discotecagem quanto da produção.

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Dossiê Paolla B

Nome Civil:

Paolla Brandão Grijó

Nome Artístico:

Paolla B

Ano de Início:

2015

Base:

São Paulo, SP

Links dos Principais Serviços de Streaming:

Apple Music

Youtube

Spotify

Amazon Music

Soundcloud

Beatport

Links de Redes Sociais:

Instagram

Gerenciamento Artístico:

Samara F. Gonçalves

Contato para Bookings:

Samara F. Gonçalves